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Filosofia na TV

A filosofia nem sempre é bem vista pelos estudantes. Há grande número de alunos que não encontram fim prático e contribuição para a sua formação.

Mas na Escola Estadual João XXIII, localizada na cidade de Ipatinga, interior de Minas Gerais, uma experiência tem transformado as aulas do professor Uanderson de Jesus Menezes, e proporcionado mais interesse dos alunos, diminuindo reprovações e evasões escolares. O Projeto TV Filosofia criado por ele, tem programas que falam um pouco sobre a filosofia grega, através do programa “Domingão do Platão”, programas para torcer para um dos competidores dos “Pensadores Vorazes”, ou então entrar em uma história em quadrinhos no episódio de “O mundo sem filosofia”, entender um pouco mais sobre Freud e se aventurar com “Alice no país da loucura” , refletir sobre moral e ética através do episódio de “Em Família”, acompanhar as entrevistas de políticos da cidade e de pessoas comuns falando sobre diversos temas no “Jornal Filosofia da Política” ou atualizar a alegoria da caverna de Platão assistindo ao curta-metragem “A mente do acorrentado”.

O projeto ajudou a levar filosofia para onde os alunos estavam: redes sociais, canais de vídeos, mesmo que poucos deles utilizassem essas ferramentas para estudo. Da pesquisa de temas, passando pela elaboração dos trabalhos até a apresentação final, inúmeras são as contribuições que os educandos obtêm em sua formação humana e intelectual. O trabalho foi fácil de aplicar e pôde ser levado para outras realidades educacionais. Como atividade central do trabalho os alunos deveriam criar um vídeo criativo sobre filosofia, incluindo temas, conceitos e discussões realizadas em sala de aula. Este vídeo deveria ser no formato de um mini programa de TV.

O trabalho ajudou a construir um acervo que pode ser usado durante as aulas como material didático em diversas outras realidades educacionais. Com autorização dos grupos, os vídeos foram divulgados no canal da disciplina no YouTube e podem ser acessados pelos alunos e comunidade escolar a qualquer momento. Através do projeto, os alunos se tornaram verdadeiros construtores do conhecimento.

Fonte:
http://porvir.org/alunos-criam-domingao-do-platao-para-discutir-filosofia-em-canal-do-youtube/

O aluno é protagonista

Lupercio Aparecido Rizzo é professor e deu aulas de filosofia para alunos do Colégio ESI São José, de Santo André/SP, por anos. Sua preocupação é sempre formar cidadãos que vivenciem os problemas, e não apenas realizar um estudo para depois elaborar uma redação explicativa, por exemplo. Seu intuito oferecer aos estudantes situações que possam, de fato, desenvolver a característica de terem autonomia e causar impacto na sociedade. Foi com base nestes pensamentos que, ele e a coordenação da escola, desenvolveram uma atividade na qual alunos tivessem, de fato, intervenção na sociedade, na cidade e no entorno.

O professor, no primeiro semestre daquele ano, apresentou aos alunos o que é ser protagonista e intervir na sociedade. Além disso, lecionou aula de metodologia de pesquisa, de pesquisa científica e de análises quantitativas e qualitativas. Após as férias escolares, os estudantes dividiram-se em grupos e receberam a missão de ir para a rua ou para o entorno de casa/escola para encontrar situações que não os deixasse satisfeitos. Lupercio usou como “combustível” da pesquisa, o seguinte questionamento aos adolescentes: “como vocês podem potencializar algum tipo de mudança?”.

Os alunos foram às ruas, entrevistaram pessoas, pensaram em dinâmicas de trabalhos diferentes e propuseram alternativas para problemas que antes eles só viam como “alguém tem de cuidar disso”. Por exemplo: em Mauá, cidade próxima a Santo André, existe um lixão. Um grupo de alunos quis falar sobre biogáse a possibilidade da cidade usar a biomassa para produzir energia e gerar combustível para os ônibus. Eles precisaram procurar um professor de química e outro de economia, e Lupercio foi um tutor para a montagem do trabalho.

Já outro grupo escolheu falar sobre trânsito. Os alunos fotografaram, filmaram e fizeram anotações sobre o trânsito em volta à escola e descobriram, por exemplo, que ela tem um fluxo diário de 2500 carros. A partir disso, estudaram formas de reduzir esse grande impacto provocado pela utilização deste meio de transporte. Houve outros estudantes que resolveram criar um aplicativo intitulado “Animais em apuros”, que reúne ONGs, veterinários, serviços públicos e pessoas que tem interesse na busca por animais desaparecidos. A ideia era a seguinte: quem visse um bichinho na rua, poderia tirar uma foto e publicar no aplicativo, que então informava toda a rede cadastrada como fosse um alerta no celular, que ficaria piscando até que alguém socorresse o animal.

Ao final do processo, havia cerca de 30 trabalhos. Foram produzidos banners em formato acadêmico e realizadas apresentações para uma banca, composta pelo próprio Lupercio, outros professores, coordenadores e diretora da escola. No total foram escolhidos 5 grupos, que apresentaram suas pesquisas para a comunidade, famílias, representantes de ONGs e até para vereadores e secretários de educação.

 

Fonte: Porvir