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Escutar os alunos também é muito importante. E este professor provou isso

O professor paraibano Rilton Vianna decidiu ajudar um aluno que estava se isolando do restante da classe. Mas conseguiu mais que isso: deu espaço para que outros alunos falassem de suas angústias. Entenda.

Tudo começou quando Vianna (professor de português no ensino médio na cidade de Cajazeiras, interior da Paraíba) ouviu de uma aluna que um colega dela estava com baixa autoestima e cada vez mais distante dos colegas. “O que podemos fazer por ele?”, pensou Vianna na época. Uma conversa direta talvez afastasse o aluno; mencioná-lo em sala de aula certamente o constrangeria.

Vianna, então, bolou uma atividade para incluir toda a turma, com a intenção de, indiretamente, ajudar o aluno. “Escrevam em um papel uma angústia que estejam sentindo”, pediu Vianna à metade dos alunos da turma. O texto era escrito anonimamente e podia se relacionar a angústias da vida escolar ou familiar.

“Escrevam em um papel uma mensagem de apoio ou conforto”, pediu ele à outra metade da classe. Podiam ser mensagens genéricas ou mais específicas, para motivar seus colegas. As mensagens foram misturadas, a classe formou um círculo e Vianna sorteou quem iria ler o quê. “Quem tiver em mãos um papelzinho com uma angústia, leia-a em voz alta. E todos aqueles que se identificarem com aquela angústia, deem um passo à frente.”

E daí começaram a vir à tona as aflições dos adolescentes: baixa autoestima, dificuldade em conversar com os pais, não se sentir bom o bastante, a pressão em se preparar para o vestibular, sensação de ser invisível ou incompreendido por parte dos adultos. A cada papel lido, muitos davam um passo à frente. Em seguida, Vianna pedia que alunos que tivessem em mãos mensagens de conforto as lessem também.

“Nenhum leu a própria angústia, mas dava para ver a comoção deles” ao se identificar com os sentimentos dos colegas, conta Vianna. Alguns choraram, outros espontaneamente interrompiam a sessão para dar abraços nos amigos. “Uma das maiores lições que tirei disso é que os adolescentes não se sentiam ouvidos. Não achavam que havia espaço para darem sua opinião”, diz o professor.

E nenhum aluno zombou do outro durante a atividade. “Fiquei pensando que algum poderia ridicularizar o outro, mas ninguém tirou onda. Até meninos mais conhecidos por serem fechados ou brincalhões demonstraram comoção.”

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Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-51099377