Conexão Xalingo – Blog

Tag - educação pós-pandemia

Pós-pandemia e a educação: o que dizem os especialistas

Se hoje vivemos um momento difícil de adaptações e incertezas, ele também traz evidências de que muitos métodos e ferramentas que foram adotados agora, poderão continuar no pós-pandemia. Confira o que dizem os especialistas.

1) Aprendizagem personalizada

Com o fechamento das escolas no Brasil, que aconteceu de forma um tanto repentina devido à pandemia, os educadores tiveram a árdua tarefa de, da noite para o dia, levar seus conteúdos e matérias para o virtual. E os chamados Objetos Digitais de Aprendizagem (ODAs) e ambientes virtuais de aprendizado se tornaram os aliados. E assim continuarão sendo, mesmo no cenário pós-pandemia. Segundo Luciana Allan, que é diretora do Instituto Crescer e Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, esse cenário é um caminho sem volta. “Dizem que a gente se reinventa nos momentos mais desafiadores. Estamos aprendendo um jeito novo de se organizar e promover a educação”.

Luciana completa, ao afirmar que esses espaços de diálogo virtual que estão sendo criados com os alunos, bem como interesse em aprender com recursos que deixam as aulas mais interativas e interessantes, vão continuar existindo como apoio ao ensino presencial.

2) Autonomia dos alunos

“Nós vamos ser pegos de surpresa pela quantidade de alunos que desenvolveu autonomia para aprender sozinho”, declarou a Diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, Claudia Costin, durante encontro online da Bett Educar 2020.

Segundo relatos de pais e professores, os estudantes estão se disciplinando para manter os estudos em casa, ajudando colegas e enfrentando os desafios diários que estão surgindo.

Além disso, há uma aproximação entre família e escola diante da necessidade de garantir o aprendizado durante a quarentena.

“Sabe aquele provérbio de que é preciso toda uma aldeia para criar uma criança? Pois eu nunca vi essa aldeia tão forte. As famílias estão percebendo como é importante um profissional como o professor e estão surgindo novas formas de ver a educação”, avaliou o consultor educacional das Nações Unidas e diretor da Fundação Santillana, Miguel Thompson.

3) Saúde emocional

Outro ponto que está sendo dado muita atenção (e que continuará depois) é a saúde mental dos alunos. Essa é uma preocupação que a professora Tatiana Lebedeff, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) enfatizou: “como mãe, eu gostaria que as escolas refletissem com as crianças o que significou essa experiência para elas e para as famílias. Que falem sobre resiliência, enfrentamento de frustrações, sobre solidariedade. Temos que levar alguma lição do que estamos vivendo, temos que fortalecer nossas relações como sociedade”.

Em nota técnica, o Todos pela Educação destacou que além das consequências emocionais da quarentena, o momento atual também deverá trazer traumas de outras naturezas, consequência de crises econômicas e de saúde pública.

“A necessidade de atenção especial à saúde mental de alunos, professores, gestores e demais profissionais da escola têm sido elemento central de preocupação nas discussões sobre respostas educacionais à pandemia da Covid-19 (…) As escolas podem ter um papel crucial para intervenções de acolhimento emocional”, descreve o relatório, enfatizando também o desenvolvimento de competências socioemocionais para preparar a comunidade escolar para crises futuras.

4) Formação docente

A formação docente já estava sendo repensada antes da pandemia com as Novas Diretrizes Curriculares. Segundo a socióloga e consultora educacional Lourdes Atié, devemos sair dessa experiência sendo capazes de aumentar o protagonismo docente a partir da experiência vivida.

“A formação docente necessária parte das experiências concretas dos professores, questionando a própria prática por meio de ambientes colaborativos. Vivemos em um mundo digital, altamente conectado e constatamos que aprender extrapola espaços e tempos. Aprender a ensinar significa também aprender a se cuidar, conhecer seus limites e possibilidades”, escreveu ela em artigo do Grupo A Educação.

O encontro online Políticas Educacionais: Transformações urgentes e possíveis legados, promovido pelo Todos pela Educação, também enfatizou a importância desse ponto. “Precisamos entender a docência como a profissão mais relevante desse país e estruturar um pacto nacional em favor da carreira docente”, declarou Alexsandro Santos, diretor presidente da Escola do Parlamento Paulistano e coordenador do Curso de Pedagogia da Faculdade do Educador (FEDUC).

5) Maior cooperação nacional e internacional

A Base Nacional Comum Curricular já destacava o papel fundamental do regime de colaboração entre estados, municípios e governo federal para efetivar a implantação das mudanças curriculares. A boa notícia é que os desafios levantados pela pandemia aceleraram essa cooperação, com formação de redes de apoio e trocas de experiências e boas práticas.

Priscila Cruz, do Todos pela Educação, também durante a live realizada pela Editora Moderna, comenta que o contexto tem criado a necessidade de uma governança internacional de educação. “Esse ano tem que ser um divisor de águas para criar uma comunidade global da educação, já que todos precisaremos superar os efeitos da pandemia. Educação de qualidade é um compromisso de todos, então não faz sentido a gente não ter troca de experiências, protocolos, diretrizes e parâmetros compartilhados pelo mundo todo”.

– – – –

E para ficar por dentro das últimas novidades da Xalingo Brinquedos, inscreva-se em nosso canal no Youtube.

– – – –

Créditos da imagem: Freepik
Fonte: Portal Aprendiz