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Tecnologia no Ensino Infantil: como usar de forma saudável

A preocupação com o desenvolvimento dos pequenos, no Ensino Infantil, tem atenção redobrada com a pandemia e o distanciamento social. Por isso há uma importância maior de que a tecnologia seja utilizada de forma saudável e sem excessos.

A nova geração de crianças é parte dos chamados “nativos digitais”, que desconhecem um mundo sem internet e, mesmo com pouca coordenação motora, já têm contato com equipamentos digitais. Conforme dados do INPE (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), as matrículas na educação infantil cresceram 12,6% entre 2015 a 2019. Esse aumento evidencia a importância de olhar e estruturar cada vez mais a educação infantil.

Para a gerente pedagógica da Big Brain, Sueli Trajano, é necessária uma maior observação sobre o comportamento e aprendizado da criança tendo os estímulos que a rodeiam. “E essa fase do desenvolvimento, de 0 a 5 anos, terá impacto durante toda a vida, considerando ainda que na idade de 0 a 3 anos, as crianças passam pelo desenvolvimento sensorial e motor, aprendem a consciência do próprio corpo e percebem o mundo à sua volta, como cores, formas e cheiros, além de desenvolver reflexos, parte de coordenação motora, senso de organização e inteligência prática. Além disso, boa parte da estrutura cerebral se forma na primeira infância”, salienta Sueli.

Também segundo ela, dos 3 até os 6 anos, as crianças alcançam o desenvolvimento pré-operatório e aprimoram a linguagem, intuição, colaboração e socialização, além de questionar (fase dos por quês) e amplificar a coordenação. A especialista observa que é a fase mais importante do desenvolvimento humano, o que torna essencial que pais, professores e os participantes ativos na vida da criança sejam efetivos e conscientes das responsabilidades quanto ao desenvolvimento emocional, intelectual e cognitivo.

Tecnologia no ensino infantil

Para conquistar a atenção de uma criança que está no ensino infantil, é sempre um desafio. E no formato remoto o problema se intensifica. Para Sueli, é necessário observar os estudos que estabelecem o tempo médio de concentração de cada criança por idade, de forma que o professor possa planejar as atividades das aulas promovendo ações de ludicidade e encantamento, considerando o tempo que a faixa etária consegue manter a atenção focada (falamos sobre isso na postagem “6 passos para montar um plano de aula remota para educação infantil”).

“A utilização de tecnologias pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento cognitivo, emocional e afetivo da criança, desde que os estímulos tecnológicos a que tem acesso sejam intencionais e assistidos por seus pais e/ou responsáveis, cuidadores e participantes da vida dos pequenos e pequenas”, afirma Sueli.

Para a profissional, as ferramentas digitais são recursos essenciais para aprimorar e alcançar o processo de ensino e aprendizagem dessa nova geração. Tão importantes, que estão preconizados nas competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”, afirma Sueli.

A especialista ressalta que a capacitação do professor em ferramentas digitais como recursos didáticos é muito importante, dominando a ferramenta flui melhor a criatividade, criações de brinquedos paradidáticos, atividades lúdicas, dinâmicas, brincadeiras intencionais e estratégias diversas integrando tecnologia.

O que fazer e o que não fazer

Juntamente com a gerente pedagógica Sueli Trajano, o diretor de Operações da empresa, Arioston Rodrigues, traz dicas de como envolver a tecnologia no ensino dos pequenos. Para prender a atenção do público infantil, os dois recomendam atividades que os levem a percepção de si, do próximo e do coletivo; exploração dos gestos, corpo e movimentos; vivência de sons, traços, cores e formas; estímulos de escuta, imaginação, pensamento e fala e percepção de tempo, espaço, transformações, quantidade e relações.

“Uma criança não tem barreiras em seus pensamentos, o campo da criatividade é livre para responder aos estímulos. O professor precisa proporcionar atividades multicoloridas, diversificadas e desconstruídas de conceitos conteudistas, porém intencionais e adequadas ao mundo criativo dos possíveis e impossíveis que a criança carrega dentro de si, considerando o universo cognitivo e emocional”, aponta o especialista.

Enquanto isso, os principais erros que as pessoas cometem ao relacionar o ensino infantil com a tecnologia, segundo os profissionais, envolvem planejar uma aula com a tecnologias digitais sem substituir as estratégias tradicionais, elaborar projetos para o ensino infantil, com nível raso de pesquisa e investimento de tempo; planejar sem considerar a faixa de desenvolvimento neural e o tempo de concentração da faixa etária; não preparar o ambiente para receber a criança seja presencial ou virtual; não envolver os pais e/ou responsáveis na aprendizagem das crianças; não deixar a criança pensar soluções diferentes para uma mesma situação apresentada.

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Créditos da imagem: Freepik
Fonte: Canaltech

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