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O ensino híbrido ganha força quando as aulas voltarem

A pandemia está mostrando a importância de se renovar a educação. A transformação digital é de grande importância e novas práticas deverão ser adotadas.

Conforme um parecer com 14 recomendações gerais aprovado pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), a volta às aulas presenciais de forma controlada e gradual não conseguirá absorver toda a oferta de aprendizado, reforçando a permanência do ensino à distância até, pelo menos, 2021.

Matheus Borré, coordenador pedagógico Trilhas Pedagógicas EAD (Tri.P EAD), da Plataforma de Ensino Eleva, concorda que, até o começo do ano que vem, a tecnologia será a grande aliada, em um movimento de conseguir retomar conteúdos que deveriam ter sido trabalhados ao longo de 2020 e, por conta da pandemia, sofreram um atraso no cronograma escolar.

Ensino Híbrido

O recém-publicado e-book Ensino Híbrido: Guia Completo (https://conteudo.elevaplataforma.com.br/ebook-ensino-hibrido)  sobre a Implementação do Ensino a Distância, elaborado pela Eleva, defende que a transformação digital tornou-se urgente quando o ensino presencial foi suspenso.

“O ensino híbrido é uma concepção da união do que é feito em sala de aula em uma estrutura física e o que é feito em uma sala online, que é o ensino virtual. Essa metodologia tenta encontrar a melhor maneira de juntar os dois universos que, por essência, têm uma maneira diferente de educar. Há uma tentativa de combinar os melhores recursos de cada um deles para que tenha-se um processo mais holístico, amplo e interessante para todos os alunos”, explica Matheus.

“A pandemia escancarou uma demanda que já era discutida há muito tempo de readaptar as escolas ao um novo cenário, mais próximo da tecnologia e das formas de comunicação usadas pelos alunos. Se antes havia mais tempo para essa discussão, o assunto tornou-se urgente. Mas de forma geral, esses processos de renovação já eram uma tendência.”

O desafio do acesso e da adaptação de escolas

É bem verdade que a tecnologia facilita muitos processos que antes eram custosos, burocráticos, demorados e complicados. Na educação, a internet e aparelhos como smartphones e tablets também tornam mais fáceis pesquisas sobre momentos históricos ou o funcionamento do sistema nervoso central no corpo humano. Entretanto, a chegada da pandemia mostrou que existem inúmeros desafios para oferecer educação de forma online e, possivelmente, o primeiro deles é a desigualdade social.

Enquanto não há cobertura de sinal de internet em 100% do território brasileiro, muitas famílias não contam com os aparelhos para navegação online e, quando contam, é comum que um único celular sirva de instrumento para uma família inteira.

Matheus explica que, antes mesmo de investir em formações, vivências e teorias pedagógicas para que alunos e professores sintam-se aptos a interagir com a tecnologia, é necessário garantir e se certificar de que todos têm acesso ao recurso. “Toda e qualquer proposta que pensarmos daqui para frente precisa considerar se todos têm acesso ao recurso e, se não tiverem, como podemos entregar isso, que é o primeiro passo de uma estratégia que envolve ensino híbrido”, reforça.

Segundo o coordenador, instituições privadas de ensino que, geralmente, contam com mais autonomia em sua gestão, podem usar esse quesito dinâmico para testar, verificar e comprovar processos e ações e, em seguida, compartilhar os resultados com o ensino público, responsável por atingir um grande número de estudantes. “Se no ensino privado conseguimos testar e avaliar com maior rapidez o que dá certo ou não, é fundamental que essas informações sejam levadas à esfera pública, para que todos os processos também acontecem em uma velocidade maior. É uma colaboração entre os dois sistemas.”

Outro fator relevante é a compreensão de que será importante e necessário respeitar os inúmeros períodos de adaptação que a educação sofrerá daqui para frente, o que também é verdade quando o assunto é introdução de tecnologia no currículo. Para Matheus, é válido reforçar que o sistema de ensino vigente coloca o professor como detentor quase único do conhecimento, em uma estratégia pedagógica expositiva e conteudista.

“Isso é algo tradicional e histórico. Então, acredito que um desafio para implementar o ensino híbrido é as escolas concederem esse tempo de adequação aos alunos, professores e coordenadores. Se podemos tirar alguma coisa positiva desse período de quarentena, é o tempo para que possamos testar e avaliar novos processos. Pode ser que parte deles seja descartada, mas, ainda assim, estamos com tempo para aplicar e avaliar o que dá certo ou não.”

Para Matheus, a primeira orientação para o corpo docente, seja em aprendizados durante a pandemia ou com a volta das aulas presenciais, é não ter medo de se colocar em uma posição de aprendiz. “Por vezes, professores acabam caindo na armadilha de pensar que já passaram da fase de aluno, quando, na verdade, durante toda a vida o professor será um eterno aluno”.

O coordenador conta que, durante esse período de quarentena, tem visto colegas receosos de demonstrar que não entendem como adotar tecnologia em suas práticas tanto quanto precisavam. Para ele, é preciso negar esse medo e, com isso, iniciar um movimento de pegar, mexer, navegar, tentar, errar e entender que alguns momentos serão mais desafiadores que outros.

“A partir do ponto que começamos a ter menos medo da tecnologia, começamos a nos colocar mais abertos para testar coisas a partir dela. Professores têm uma característica muito legal que é a vontade de fazer e testar coisas novas. Então, a formação em tecnologia começa a vir mais naturalmente quando passamos a ter os recursos como nossos amigos e não como os maiores vilões”, completa.

Créditos da imagem: https://blog.coursify.me/pt/ensino-hibrido-em-escolas/

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Fonte: https://porvir.org/ensino-hibrido-e-o-papel-da-tecnologia-na-volta-as-aulas/

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