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Ex-faxineira, professora de História inova na rede pública

Em Belo Horizonte a professora Luana Tolentino é conhecida por “dar aula de um jeito diferente” através de intercâmbios com outros estudantes, além de encorajar seus alunos e acreditar que a educação precisa ser um trampolim na vida dos estudantes.

A história da professora é de superação. Nascida em uma família humilde, Luana teve que suar a camisa para conseguir estudar e se tornar professora da rede pública mineira. A família tinha dificuldades financeiras e os brinquedos eram raros na infância. Mas ela lembra que um dos presentes que mais gostou de ganhar do pai foi um dicionário. Todos os dias quando acordava, a futura professora abriria o grosso livro aleatoriamente para descobrir uma palavra nova.

Luana começou a trabalhar cedo para ajudar em casa. Aos 13 anos era babá, aos 15 passou a trabalhar como empregada doméstica e afirma que foi uma fase muito dolorosa e de muita humilhação. As dificuldades cresciam, mas a vontade de voltar aos estudos só aumentava. Ela acreditava que o conhecimento poderia salvar a sua vida e lhe dar uma melhor.

Aos 18 prestou vestibular para História e passou. Ser professora é a realização de um sonho. Luana conta que se sente realizada ensinando e que estar em sala de aula é sempre uma experiência maravilhosa. Para pagar a faculdade, Luana fazia faxinas.

Quando lecionava para as turmas do 7º ao 9º ano do fundamental, na escola estadual Alizon Themóter Costa, Luana era conhecida como “a professora que dá aula de um jeito diferente”. Isso porque ela planejava atividades inovadoras e que envolviam os alunos. Ela explica que se preocupa com a trajetória individual de cada aluno e pensa que o seu papel é organizar o processo de ensino e dar espaço para aprender com os estudantes.

Um dos projetos do qual se orgulha aconteceu no ano passado, quando ela conseguiu fazer uma troca de cartas entre os seus alunos e os de uma escola de Moçambique. “Consegui que a embaixada moçambicana enviasse as cartas, já que o sistema dos correios de lá é extremamente precário. O cônsul de Moçambique foi até a nossa escola. Os alunos amaram!” Ela também promoveu um contato presencial entre seus alunos e estudantes africanos. “Organizei um jogo entre os meus alunos e africanos que estudam na UFMG. Foi um acontecimento. Eles ficaram extasiados.”

Luana também fez uma atividade inspirada na experiência de uma educadora norte-americana. Perguntou a alguns de seus alunos o que eles gostariam que a professora soubesse. Entre elogios à professora e preocupações com a dificuldade em sala de aula, sonhos e histórias familiares de alegria e outras de violência. “As respostas só reforçam a minha crença de que é necessário repensar a escola e propor algo que vá além do modelo vigente, que desconsidera os saberes, as habilidades e a trajetória de cada estudante”.

Propor novas atividades e estar atenta à história de cada aluno demanda mais esforço do que seguir a cartilha das aulas tradicionais. Mas Luana acredita que vale a pena quando vê a diferença no aprendizado dos alunos e a possibilidade de mudar vidas, assim como a sua mudou. “O engajamento, a luta pela educação, o respeito pelos meus alunos: acho que tudo isso foi sendo construído ainda na minha infância”, afirma.

Fonte: www.terra.com.br

 

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